Dia de Hospital…
Masetti (1998, p.18) ressalta:
” A surpresa da presença de um palhaço, como conceito aparentemente tão oposto à realidade hospitalar, tem a capacidade de brecar, ou suspender momentaneamente a lógica dos pensamentos e a dinâmica dos sentimentos vividos por pacientes, familiares e profissionais. Isso abre espaço para que essas pessoas percebam novos processos que acontecerão a partir da visão de mundo do palhaço. Permissao: A arte constrói este veículo do desenvolvimento de saúde, com um poder de comunicação que está além das palavras. No ambiente em que as atenções estão voltadas para o futuro do paciente, com sua recuperação, com as vivências de sucesso ou fracasso, a arte para os Doutores da Alegria” (MASETTI, 2005), privilegia o presente do paciente e a qualidade da relação, retira o foco do que acontecerá e reconecta no que está efetivamente acontecendo. [livro: terapia-do-riso--a-cura-pela-alegria]

A Matemática que emociona… Nunca achei que isso ia acontecer, mas os números oficiais chegaram, fiquei emocionado por alguns segundos…
total de visitas por sábado : 302 visitas.
ou 151 crianças e 151 acompanhantes (fora médicos e funcionários do hospital).
como são 52 semanas por ano, dos quais não atuamos no hospital por 4 semanas ao ano (férias)
14.400 visitas ao ano.
Hoje teve cada momento mágico, o Gui, uns cinco anos, acordou, montou suas pernas sem movimento como se fossem um cavalinho e cavalgou na cama da imaginação, a banheira de plástico, dessas de banhar crianças, virou uma bateria nas mãos ágeis do guri, um baterista nato, incrível ele regendo os palhaços, jogando na posição “do branco”, se divertindo horrores com “o poder”
No tempo e no swing que só um moleque no Brasil pode ter, o tal do Gui orquestrou os três palhaços, fizemos rock n roll e o jogo do “parou”. Os três clowns que tocavam instrumentos de sopro, se é que da pra chamar um kazuo de instrumento, obedeciam o comando ritmado de “PAROU”, diga se de passagem, melhor que o do Jô Soares e o quinteto do Jô, na dignidade de um maestro de orquestra sinfônica, com a mestria de um passista de escola de samba.
Os clowns paravam a música e congelavam em estátuas; até que vinha o comando para continuar a ação. Gargalhadas, tanto dele, como da mãe, da enfermeira, sabe prazer transbordando? Foi assim hoje… Nuns dois ou três leitos, se pãns uns quatro ou cinco, a matemática é sempre falha na hora do sentir.
Exatamente, ou quase, visitamos 43 leitos ao todo, a UTI com cinco internos e claro o PS com poucos pacientes, dia de vacinação, todo mundo no ambulatório tomando a gotinha, VACINA CONTRA GRIPE, hoje mais importante do que nunca!!!
A crueldade da criança, se é que tal paradoxo realmente existe, se manifestou mais uma vez e foi o grande prêmio do dia, O Gui, a criança no comando, se esbaldou no poder com a frase “parou!”
Os palhaços então pararam, o menino triangulou de forma natural, e completou: “agora vou dormir…” se aconchegou na cama, deu uma última risada, tirando um barato descarado dos drs. palhaços, congelados, e enquanto ele dormia o sono da inocência…levantou a carinha novamente, um riso de canto de boca, sussurando, “dança palhaço, agora eu quero ver dançar” e os “bobos parados” e vibrantes, pulsantes na pausa…
pausa?
[pausa]
Assunto 2 – Direto da central do msn: MSN: “Te abala e perturba ver crianças em hospital?”
Ah! focar nas crianças e na saúde delas. Já não vejo o problema q elas tem, não mais que o necessário para a segurança do trabalho, tipo, pontos cirúrgicos, pós operatórios, imobilidades, restrições de movimentos, eu bato o olho no quarto, percebo isso e depois de marcados os detalhes de cuidados, já era, só foco na criança e no parceiro de cena, aí transborda felicidade, paixão mesmo…
[pausa na pausa]
Hoje aconteceu também de fazer mini platéia, “galerinha” na porta dos leitos, de crianças de outros quartos, acompanhantes e enfermeiras saírem dos “seus locais” e ficarem acompanhado o corredor e a ala toda.
Transformou-se alas de “não lugares” em locais de encontros potencializados pela imaginação. Diversos universos, teve maratona de sao silvestre em camera lenta, teve fundo do mar com aparelhos de respiração, teve tubarão, canção, até chapeuzinho e hip hop.
Eu, às vezes, sinto “ser de outro planeta”, brincando com o colorido de energias, é muito doido fazer uma criança doente sentir saúde, vida e gargalhar, pular se emocionar…
“A obra interior consiste em que o aluno, como homem que é, como o eu que se sente ser e como quem se reencontra uma ou outra vez, se converta na matéria-prima de uma criação, de uma realização formal, que termina no domínio da arte escolhida. Nele se fundem o artista e o homem, no sentido amplo da palavra, em algo superior.
O domínio pleno da arte é válido como forma de vida pelo fato de viver arraigado na verdade ilimitada e ser, como sua ajuda, a arte primordial da vida. O mestre já não busca, mas encontra. Como artista, é um sacerdote; como homem, um artista em cujo coração no seu agir e não-agir, criar e silenciar, ser e não-ser penetra o olhar do Buda. O homem, o artista, a obra formam um todo.
A arte da obra interior que não se desprende do artista como a exterior, a que ele não pode fazer, mas unicamente ser, surge das profundezas que não conhecem a luz do dia.”
by:Eugene Herrigel (traduzido para o português), em
“A arte cavalheiresca do arqueiro zen”.
abril 1, 2009
Categorias: Palhaço em Hospital . . Autor: trimitrack . Comentários: Comentários desativados